22
Mai 09

Eram 6h da tarde de uma quarta-feira, e eu estava sentada na sala de espera do consultório do dentista. Tinha andado agitada o dia todo, detestava ter de vir ao dentista. Aqueles aparelhos todos sempre me meteram medo e agora já com 32 anos continuava a ficar assustada só de os mencionar.

Enquanto aguardava, pude reparar que a sala de espera tinha um ar peculiar. Já quando entrei não pude deixar de notar na enorme porta vermelha, e agora reparava que as paredes estavam vestidas de branco com apenas alguns acessórios alusivos a placa dentária. O balcão situava-se na esquina e por trás deste encontrava-se uma jovem que aparentava ter 24 anos, era muito branca, tinha cabelo preto e uns olhos negros muito intensos. Pensei para mim própria que ela devia estar na capa de alguma revista de tão bonita que era.
Era a primeira vez que me encontrava ali porque o meu dentista tinha se reformado. Encontrei o nome deste numa revista de saúde e achei-o apelativo. Chamava-se Vicente Diogo.

A jovem recepcionista levantou-se, e dirigindo-se a mim, pediu para segui-la, eu assim fiz e quando dei por mim estava no meio de vários corredores muito brancos. Chamou-me a atenção o mini vestido que esta envergava porque não o achei adequado ao sítio onde trabalhava.

Quando entrei no consultório o Doutor estava voltado de costas para mim, senti logo um nó a formar-se na minha garganta juntamente com o tremor e o suor das mãos. Ele voltou-se e qual não foi a minha surpresa quando pude notar que ele mais parecia o irmão da jovem da recepção do que Doutor. Era tão lindo como ela, com os seus cabelos e olhos negros como a escuridão da noite e a tez branca como a neve. Deu um grande sorriso e pude ver os seus lindos dentes brancos.

Depois dos cumprimentos formais, ele mandou-me sentar na cadeira e pediu-me para lhe explicar o porque da minha vinda. Após uma breve explicação da minha parte, ele começou o procedimento. Não sei porque, mas encontrava-me mais relaxada do que o habitual. O cheiro que se fazia sentir naqueles sítios e que antes tanto me incomodava, agora não passava apenas de uma breve insinuação ao meu anterior medo.

Tudo corria bem, ate ao momento em que sinto o cravar de uns dentes no meu pescoço. Tentei gritar mas não conseguia. Estava imóvel.
Agora percebia tudo, percebia porque o medo já não invadia o meu corpo, percebia a beleza e a paz daquele sítio. Já tinha ouvido falar daqueles seres, mas sempre pensei que fosse um boato de gente que não tinha mais nada com que se preocupar. Mas agora era a minha vez de me preocupar. Mas como? Não havia hipótese alguma de conseguir-me salvar. A única coisa que sentia era o sangue a sair do meu corpo. Não era uma sensação má, muito pelo contrário. Era como se me estivessem a acariciar, como se estivessem a fazer amor comigo.

Aos poucos fui sentindo que perdia as forças, que a alma que estava aprisionada naquele corpo sem valor deixava de resistir. Comecei a ouvir um barulho que não me era estranho, mas por se encontrar distante não conseguia perceber o que era. Mas o som cada vez estava mais nítido e pude perceber que era o som do meu despertador. Estava confusa, o que é que o meu despertador fazia ali? Foi então que percebi que tudo não tinha passado de um sonho. Dei um salto e pus-me em pé! Gotas de suor escorriam da minha testa e tinha as mãos a tremer. Olhei em volta do quarto e ainda não tinha amanhecido. Dei outro salto quando percebi que não me encontrava sozinha. Queria gritar e não conseguia. Era ele. Ele estava ali. Afinal não tinha sido um sonho. Fui a correr para a casa de banho e olhei-me ao espelho e estava ali a cicatriz no meu pescoço. Estava bem visível. Mas não era só isso que era visível. Pude reparar como a minha tez se encontrava lisa e branca como porcelana e o meu cabelo encontrava-se mais comprido e brilhante amarelo como sol.

Era verdade. Agora eu fazia parte deles. Era como eles. Uma vampira. Fui até ao quarto e o Vicente estava lá, exactamente como se encontrava uns minutos antes. Estava imóvel e a única coisa que deixava transparecer era um sofrimento inteligível.
Ele olhou para mim e disse: “Desculpa. Estava farto de estar sozinho, e fui ai que te vi. Foi mais forte do que eu.”

publicado por sangue-fresco às 18:12

19
Mai 09

Os olhos do jovem apenas eram capazes de ver o invólucro exterior, uma belíssima mulher alta com uma cabeleira ruiva abundante, formando canudos estilizados, de pele marfínea, olhos apelativos e meigos e um corpo com medidas de modelo, peito generoso, cintura fina e ancas bem torneadas. Tudo nela constituía um chamariz para o sexo oposto o cheiro almiscarado, a voz convidativa ou mesmo as roupas usadas com o intuito de fazer sobressair todos os seus atributos físicos. Usava todos os factores com que a natureza a tinha dotado, quando era ainda uma simples humana, com o propósito de cativar a atenção e ludibriar a sua presa, preparando-a para o golpe final. O momento em que os seus proeminentes colmilhos penetrariam na jugular do jovem, da qual sorveria energicamente o liquido vermelho, quente, borbulhante ligeiramente salgado e latejante, que ela conseguia ouvir perfeitamente mesmo à distância. Um néctar capaz de revigorar um corpo debilitado após uma tentativa de drenagem na noite anterior.

Assim, que o jovem obsequioso se aproximou de Cassandra com o objectivo de ajudar a mudar o pneu, – pneu esse que ela própria tinha rebentado deliberadamente, tecendo uma armadilha para apanhar uma vítima – desencadeou nela um frémito corporal inesperado antecipado pelo odor emanado pelo sangue sedutor e irresistível do jovem franzino e desenxabido. Antevendo o momento em que os seus caninos entrariam em contacto com o seu pescoço e o sangue deslizaria para a sua garganta.

Poupou as últimas forças para levar a cabo o seu plano, o que foi relativamente fácil, uma vez que nem o jovem nem nenhum homem era capaz de resistir aos encantos da sua aparência física. Iludiu o jovem com um beijo, a vítima ficou siderada com essa possibilidade e num ápice, embaçou-o no beijo da morte. Quase como que hipnotizado, incapaz de se mover deixou-se ficar imóvel enquanto ela se saciava. Depois de saciada a sede e as forças restauradas, Cassandra abandonou o jovem corpo exangue num fosso de beira de estrada, e seguiu caminho, revigorada e restabelecida, idealizando uma nova emboscada para a próxima caçada.

publicado por sangue-fresco às 11:10

12
Mai 09

Já lá vai o tempo do Conde Drácula… Posso eu afirmar com felicidade, contudo, receio, que descobri outro terrível noctívago conde, outro aterrador vampiro… Conde… Castelo Branco!

Como descobri tal evidência? Uma longa e complexa investigação levou-me a inegáveis provas que conduzem todas ao mesmo tenebroso desfecho… O Conde Castelo Branco não é nada mais, nada menos do que um vampiro!
 

Eis as provas:
 

A)    É conhecido pela sua “louca” vida nocturna. É certo e sabido que os vampiros são mais activos à noite…

B)    Possui um pseudónimo de “Conde”;

C)    Com o passar dos anos, não ganha rugas. Dizem vocês que é da cirurgia plástica? Pois eu digo que ele não envelhece…

D)    Fala e veste-se como se fosse de outra época;

E)    Vive numa mansão tipo castelo com muitos empregados - típico dos vampiros…

F)    Negoceia arte, ou seja, na minha opinião, já vive há séculos suficiente para possuir antiguidades e objectos de colecção;

G)    Todos sabem que o inimigo mortal dos vampiros são os lobisomens… Num dos reality-shows em que participou, teve sérias desavenças com o cavalheiro Nuno “Lobisomen” de Sá.

H)    A sua mulher, Betty Grafstein age como sua serva - prova isto que José Castelo Branco a converteu e a fez casar com ele e seguir todos os seus passos.
 

Possuo ainda fortes evidências que o assombroso single de José Castelo Branco “In the city” do seu álbum “Oui Ces’t moi” se cantado de acordo com um padrão invertido é na realidade uma auto-afirmação de si mesmo, uma confissão da sua verdadeira condição – vampiro – e um pedido de redenção, daí o título do álbum, traduzido, “Sim, Sou Eu”.


Pois com isto eu afirmo, que o Sr.José Castelo Branco é um vampiro, uma alma angustiada, um sugador da noite, um imortal…

 

publicado por sangue-fresco às 14:56

11
Mai 09

Eu era ainda um miúdo quando percebi que ele não era normal. Estava naquela idade em que questionamos tudo e todos, em que olhamos o mundo com olhos de quem o descobre, e em que ninguém nos leva tão a sério como julgamos merecer.

Ele tinha uma voz contagiante e inconfundível, um corpo pálido e por vezes cadavérico, e um postura incansável em palco. Estávamos nos anos 70 e nos anos 70 muita coisa acontecia no mundo para que um adulto tivesse tempo para ouvir as considerações de um adolescente. Eu dava os meus primeiros passos na tentativa de me tornar um repórter de um jornal local sobre música.

A música sempre fora tudo para mim. E a música sempre foi tudo para ele.

 

O encanto de um vampiro nunca é muito óbvio. Não posso dizer que ele fosse um homem bonito. Mas quando aparecia ofuscava qualquer um nas redondezas. Era poderoso e parecia uma serpente quando dançava ao som das suas próprias notas. “Magro... escanzelado”, diziam elas. Mas quando se cruzavam com o olhar dele juntavam-se de imediato às histéricas fãs. Que tanto me irritava na altura. Por despeito ou mesmo inveja, a verdade é que nem assim eu deixei de ser o fã número um. E mesmo com a “quase-certeza” de que ele era um vampiro, nada mudou a minha admiração.

 

Os anos passavam. Mas aparentemente não passavam para ele. Eu deixei de ser um miúdo. Mas ele continuava igual. Os lábios enormes, a língua que parecia não lhe caber na boca e um corpo escanzelado que parecia ligado à electricidade. Com os anos, a língua tornou-se imagem de marca, e os Rolling Stones nunca mais viveriam sem ela.

“É da droga” – diziam-me quando os questionava acerca do não envelhecimento.

“E a energia também é da droga.” Explicavam tudo com traços de coca.

“Quando é pura é assim.”

Eu sabia que havia algo mais. Sabia que aquelas letras e a sua “Simpatia pelo Diabo” não eram um acaso. O sucesso constante. Tudo lhe corria de feição e o tempo não passava.

Por ironia tornei-me reporter da revista Rolling Stone. E os anos foram passando para mim. Aos poucos dei passos seguros numa carreira exemplar, e com a carreira veio a responsabilidade, de tal modo que, quando percebi que a minha “voz” era respeitada, percebi também que não podia fazer uma afirmação dessas. Não, se quisesse ser levado a sério.

Então mantive essas considerações para mim. Anos e anos com a certeza de que aquelas escapadelas nas festas eram mais do que namoricos de ocasião. De que os lábios vermelhos com que voltava não eram batôn mas sim o sangue delas. O sangue das raparigas que eu não voltava a ver na festa seguinte. Havia quem lhe arranjasse as vítimas... e se não houvese... elas próprias se teriam oferecido tal era a histería.

Mas hoje, nesta casa envelhecida e serena, com estas rugas que a vida me trouxe e onde vivo apenas com a responsabilidades de um homem reformado, posso dizer sem medo e já sem amargura:

 

O Mick Jager é um vampiro. E eu sabia-o desde o primeiro momento.

 

publicado por sangue-fresco às 12:13

06
Mai 09

Na verdade toda a gente tem o seu lado vampírico… bem escondido, mas lá está ele. Mas, sempre existem os menos cuidadosos, e deixam que a sua natureza seja descoberta pela sociedade…

É o caso de muitas celebridades, que de tão ocupadas e fascinadas por si próprias não dão pelos seus erros…

É o caso de Selena Gomez, que participa numa série da Disney, Feiticeiros de Waverly Place, para além de ser também uma cantora POP…Porquê? Muita gente pergunta…! Mas não é preciso ter um grande conhecimento sobre vampiros para se reconhecerem os sinais… eles são óbvios e estão lá.

Todas as pessoas pensam que vampiros são mitos, mas eles existem, estão entre nós… muitas vezes muito conhecidos, e ninguém o sabe…

Os aspectos físicos são sempre os mais fáceis… pele branca, olhos vermelhos... neste caso, Selena apresenta olhos castanhos, talvez lentes de contacto… talvez esteja infeliz pela sua natureza e não queira ser descoberta… mas não é por isso que deixa de ser o que é…

Talentos: Desde sempre que é dito que os vampiros têm várias habilidades, que os permitem atrair a sua presa... temos aqui uma menina muito angelical que canta, dança, representa...muito talentosa, sem dúvida. Terá talento igualmente na caça?

Recentemente, foi vista com Taylor Lautner, que interpreta um lobisomem na Saga Crepúsculo. Mais um truque? Serão eles realmente inimigos mortais? Será que ele corre perigo? Pode ser que isso se venha a provar…os pouco cuidadosos deixam a máscara cair depressa...

Por isto eu digo... um vampiro habita entre nós...

publicado por sangue-fresco às 16:56

Entrou em casa ao entardecer e colocou os óculos de sol no baú acobreado, destinado à sua imensa colecção de lunetas escuras com hastes. Ultimamente preferia o modelo dourado, que lhe dava um ar sofisticado, opinião partilhada com a sua assistente de imagem.
 

Sentou-se no sofá à procura da melhor posição para se ver livre daquela dor de cabeça, consequência de mais um dia de trabalho a aturar os seus demónios e as suas constantes brincadeiras e discussões, entre decisões desta ou daquela nota ou da introdução de um arranjo musical revolucionário. Uma coisa era garantida, estava orgulhoso do seu estúdio.
 

Estendeu o braço e serviu-se de um copo de espumante, que estava ali sempre fresco à espera da chegada dele. Ela também devia estar a chegar, a mulher que tinha conhecido numa noite memorável em que os copos de vinho se tornaram mais do que os dedos das mãos, dedos que se perderam na pele macia e irresistível daquela que lhe toldou os sentidos, ao ponto de pedir socorro e afirmar publicamente que estava apaixonado.
 

Enquanto mantinha estas lembranças bem presentes, levantou-se para procurar o jornal e saiu para o alpendre. As notícias eram más, por isso desejou irradiar de uma vez por todas os males do mundo, enquanto exorcizava os seus próprios males a pensar nas suas viagens.
 

Mal podia esperar que a noite caísse para partir e continuar a cumprir a sua missão. Naquele dia, em particular, queria cravar os dentes e sugar o sangue daqueles dirigentes que não faziam nada pela cidade. Era uma tarefa árdua vê-los ali, desensanguentados, a pedir misericórdia e a prometerem que se os poupasse, iriam zelar melhor pelos destinos do país. Esqueciam-se depressa das promessas, mesmo assim, acabava por dar-lhes sempre mais uma oportunidade.
 

Teria sempre o prazer dos seus concertos e das suas palavras murmurantes que eram tão mordazes como os seus afiados dentes. Seria eternamente interventivo na sua figura humana, atrás dos seus úteis óculos de sol. E nas noites que passava sem dormir, só a Lua sabia quem ele era.

publicado por sangue-fresco às 16:46

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