29
Set 09

Desceu as escadas que conduziam ao piso inferior. À medida que progredia, o silêncio desaparecia e era substituído pelos crescentes rumores de conversas cruzadas, envoltas em música que o DJ passava, naquele bar, nas profundezas do edifício.Conforme se aproximava do seu destino, as dúvidas aumentavam e, por várias vezes, sentiu-se tentada em voltar atrás. Subir as escadas e fugir para o exterior. Não! Não hesitaria mais. – Decidiu. - Iria até ao fim.

Chegou ao fim da escada. A passagem estava barrada por um sujeito enorme e barrigudo, que a mirou de alto a baixo. Sem nada dizer, afastou-se e franqueou-lhe a entrada para a porta encimada pelas luzes de néon onde se lia o nome: “Clube de Sangue”. O odor metálico a sangue, que emanava do local, agrediu-lhe as sensíveis narinas.Deslocou-se até ao balcão, embatendo nos pares que se agitavam na pista de dança. Sentou-se num banco alto e sorriu para o empregado que a fitava extasiado.- Um “blody mary”, por favor! – Pediu.O barman serviu-a de imediato. Sorriu-lhe, mas ela não lhe retribuiu o sorriso. - Nova por aqui? – Questionou-a, olhando-a de alto a baixo. Apreciou cada curva do seu voluptuoso corpo. Um corpo “vamp”. Aparentava uns quarenta anos muito bem conservados. Uns belos cabelos negros emolduravam uma cara bela, se bem que um pouco pálida. Umas belas e longas pernas saiam sob a curta saia que vestia.Ela assentiu com a cabeça. Bebeu a zurrapa de um trago. O barman encolheu os ombros e passou a sua atenção para o cliente que se acabara de sentar à direita da “vamp”. Fez uma careta, ao reconhecê-lo. Era um cliente habitual. Um predador. Sempre à caça de raparigas. Sempre à procura de vítimas. Descartáveis: usava-as uma vez e, depois de as possuir, abandonava-as sem qualquer pingo de pudor ou peso de consciência. A polícia e o próprio barman suspeitavam que seria ele “o violador da noite”, um predador sexual procurado pelas autoridades por drogar e violar jovens mulheres naquela zona.O predador, entre sorrisos e piropos destinados à sua colega de balcão, começou por entabular conversa com a mesma. - Dois copos de “O positivo”. - Pediu ao barman. – Para mim e para esta senhora.- Obrigado, mas não bebo “O positivo”! - Recusou a “vamp” com um sorriso.- É pena! Teria muito prazer em pagar uma bebida a uma mulher tão bela. – Retorquiu o predador.- És muito simpático. – Contrapôs a “vamp” – mas é um exagero teu!- Não digas isso…. – Fez uma pausa propositada, enquanto apreciava ostensivamente a interlocutora – Diz-me: és nova por aqui? Não me recordo de te ver anteriormente neste bar…- É verdade, nunca aqui estive antes… - olhou em volta – mas parece-me ser um ambiente muito simpático: luzes baixas, jogos de sombras, bom DJ…- Um pouco ruidoso… - respondeu o predador, subindo um pouco o nível da voz – queres dançar?

Dançaram, durante uma larga meia hora, até se fartarem.

- E, que tal se formos para um sitio mais calmo? – Propôs o predador. - Falamos um pouco. Confraternizamos longe deste reboliço.

A parceira hesitou momentaneamente. Estava a gostar daquele local e daqueles momentos. Anuiu.

- Está bem, concordo! Vamos!

Saíram para o exterior. O ar fresco entranhou-se nos seus corpos transpirados e fê-los chegarem-se um ao outro, aconchegando-se mutuamente. O predador sentia-se excitado, ao sentir o corpo dela junto ao seu. A frescura que emanava da sua companheira inebriava-lhe os sentidos.

Caminharam lado a lado, aninhados um no outro. Chegaram ao carro do predador sexual. Entraram.

- Ficamos por aqui, ou queres ir a algum lado? – Perguntou à companheira, preparando o ambiente para os seus planos.

-Tanto faz…

Beijaram-se apaixonadamente. Exploraram os seus corpos, mutuamente.

-És bem constituído! Quero-te! – Declarou a “vamp”, apalpando-lhe o bíceps e os abdominais. – Que idade tens? Qual é o teu grupo sanguíneo?

- Trinta e cinco! E faço aparelhos todos os dias!... Sou “A negativo”… Porque perguntas?

- Vou contar-te o meu segredo: não bebo “O positivo”… só me alimento de “A negativo”!

E, perante um atónito predador sexual, a “vamp” cravou-lhe, no pescoço, umas longas presas e sugou, com prazer, todo o sangue do parceiro, enquanto se sentia rejuvenescer.

 

publicado por sangue-fresco às 22:39

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