29
Set 09

Eu vestia o meu vestido de dormir, leve, branco e confortável. Caminhava em direcção à cama que pertencera à minha avó, Adele Stackhouse. A avó fora assassinada, anos antes, por René Lenier, um dos muitos fanáticos que cultivam um ódio pelos vampiros. Em Bon Temps, todos gostavam de René… até descobrirem que ele era o responsável por uma onda de assassinatos que supostamente culminaria com a minha morte. Na cama estava o meu vampiro, Bill. Tinha (ainda) vestidos os jeans de ganga escura e a t-shirt negra que contrastava com a pele branca, mortalmente pálida, dos seus braços e pescoço. Olhou para mim, de alto a baixo, à medida que eu me aproximava da cama… observei as suas narinas a dilatarem-se e concluí logo que estava a inalar o meu perfume, o “meu irresistível aroma” como ele gostava de dizer no seu tom formal e clássico, tão característico do século XIX, altura em que Bill “morrera”.

- Que tal estou? – Perguntei, meio atrevida, meio inocente.

- Uma delícia… - Respondeu, malvado e malandro.

Ia deitar-me ao seu lado quando ele se levantou… Tirou a t-shirt, pegou em mim e apertou-me contra si. Ouvia-o respirar profundamente. Afastou uma madeixa do meu cabelo loiro e quando voltei a olhar para ele, as suas presas já se encontravam salientes. Brancas, perigosas, aguçadas. Já não me assustava… namorando com um vampiro é mais do que natural ver-lhe as presas e deixá-lo beber um pouco do meu sangue. Era o derradeiro afrodisíaco para Bill e eu não me importava.

Senti uma pontada de dor e um líquido quente a escorrer pelo meu pescoço abaixo. Pelo menos Bill era rápido. Em pouco mais de meio minuto bebia tanto sangue quando podia tendo o cuidado de não exagerar, de maneira a evitar que eu ficasse demasiado fraca ou com anemia. Mas desta vez estava diferente. Bill já bebia o meu sangue há mais de um minuto.

- Bill, já chega.

Ignorou-me. Quando tentei afastá-lo vi logo que algo estava mal. Os seus braços fortes puxaram-me ainda mais contra ele e as presas afundaram-se ainda mais na pele. Mal comecei a mexer para me libertar elas rasgaram a pele. Bill apertou-me ainda mais e eu nada consegui fazer contra os poderosos braços e mãos que me prendiam. Então a situação piorou ainda mais. Bill começou a mexer a boca e as presas, abrindo feridas bastante profundas no pescoço. Não tardei a ver o sangue que saltava, aos esguichos, da minha jugular.

- Não! – Gritei desesperada com a força que me restava.

De nada adiantou. Senti que morreria ali. Bill já não era quem eu conhecia. Parecia um daqueles vampiros que vemos nos filmes de terror: tinha a cara toda cheia de sangue, que lhe escorria pelo queixo abaixo em direcção ao peito. Com as presas de uma dimensão muito maior que o normal, exibia o sorriso possesso de quem cedera à sua maior tentação: beber todo o meu sangue.

Já estava morta e, ainda assim, continuava consciente.

Depois veio o pior.

Com a sua mão branca e grande Bill furou cruelmente a minha caixa torácica. Agarrou o meu coração e puxou-o para fora com a maior das facilidades… e eu via tudo. Com as duas mãos Bill levou o coração à boca e enterrou nele as presas, lambendo-o depois freneticamente com a língua. Ainda saltou algum sangue: para o cabelo de dele, para cima de mim, para o chão e algumas gotas no tecto.

Bill deu-se então por satisfeito e saiu pela janela deixando-me ali no chão, a apodrecer. 

Acordei sobressaltada. Suada. Tinha sido o pior pesadelo de toda a minha vida. Estava tão assustada. Acalmei-me. Respirei fundo. Passados três segundos espelhou-se na minha cabeça a cena que presenciara no clube de vampiros de Jackson: a traição de Bill.

Seria melhor mesmo não ter coração, assim ninguém o podia desfazer.

 

 

publicado por sangue-fresco às 22:44

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