03
Mar 09

Um olhar sobre Fangtasia.
 

O nosso quotidiano mudou bastante desde a Grande Revelação. Desde que se tornaram membros activos da nossa sociedade, os vampiros passaram a ter produtos feitos à sua medida e não falo apenas das várias marcas de sangue sintético que invadiram as prateleiras dos nossos supermercados. Hoje eles têm os seus programas de televisão e rádio, imprensa escrita e sites de encontro online. No entanto, por serem criaturas da noite, o panorama da diversão nocturna foi aquele que mais se alterou.
 

Se ao início os empresários da noite receavam aceitar vampiros nos seus estabelecimentos com a desculpa da “segurança” dos humanos, depressa perceberam que para onde os vampiros iam, os humanos os seguiam. Rapidamente garrafas de “True Blood” passaram a estar disponíveis em todo o lado mas entretanto a popularidade dos bares de vampiros já tinha atingido o seu auge. Mas afinal, o que diferencia um bar ou discoteca de vampiros? E o que é que os torna tão apelativos?
 

Para descobrir mais, visitámos um dos bares mais antigos e conhecidos na América: o Fangtasia. Localizado em Shreveport, no Estado do Louisiana, o Fangtasia abriu as suas portas poucos dias após a Grande Revelação e continua a ser a referência para muitos bares de vampiros em todo o mundo. Estranhamente a sua fachada com um simples letreiro em letras néon vermelhas não impressiona mas a multidão que espera a sua vez para entrar prenuncia a popularidade deste lugar. E foi de facto no seu interior que vimos um pouco mais de perto e sem rodeios a cultura vamp e dos seus seguidores.
 

Pam, uma das gerentes do bar fez-nos a visita guiada. “Como noutros bares, o Fangtasia também tem festas temáticas, Lady’s Nights às quintas-feiras e bandas a actuarem ao vivo. O merchandising como as t-shirts, também é outra das formas de rentabilizar o bar.” Quanto ao pessoal contratado a Pam foi muito clara: “O melhor, claro! Seja humano ou vampiro o importante é atenderem bem os clientes”. Perguntámos se já tinham surgido conflitos entre vampiros e humanos no bar. “Normalmente não, mas há grupos de fanáticos que vê o bar como um alvo fácil para espalharem o seu ódio contra vampiros. Nesses momentos fazemos o que é necessário para proteger o nosso negócio e os nossos clientes”. Pam não nos explicou em que é que consistia o “fazer o que é necessário”.
 

Samantha e Lara são clientes do Fangtasia há vários anos e disponibilizaram-se em explicar a sua atracção por vampiros. “Com os vampiros é diferente” explica Samantha, “eles sabem o que queremos, nós sabemos o que eles querem, não há jogos!”. Quanto à nossa questão de poderem morrer às mãos de um vampiro ao oferecerem o seu sangue, Lara torna claro o seu ponto de vista: “Podemos morrer de doença, de acidente de carro… Durante uma troca de sangue, se o vampiro consumir demasiado do nosso sangue, podemos sempre pedir que ele nos transforme em vampiros. Em último recurso, passaremos a ser imortais!”

A sensação de perigo, a novidade, a possibilidade de poder experimentar algo de diferente, a atracção pelo desconhecido é o que os bares de vampiros oferecem aos seus clientes humanos. Quanto aos clientes vampiros, estes bares oferecem a hipótese de encontrarem alimento voluntário e consensual assim como a possibilidade de se reintegrarem na sociedade.

 

publicado por sangue-fresco às 11:39

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