06
Out 09

Entrei no Clube. Aquilo era pior do que Eric me advertira. Uma sombra negra pairava no ar. Sentia poucas mentes humanas, o resto era só pensamentos vampíricos, soltos. Havia lá uma espécie de bar, mesas, cadeiras, sítios onde os vampiros conviviam. No centro, um vampiro do sexo feminino fazia uma actuação de strip, mas mesmo assim, poucos dos presentes lhe pareciam dar atenção. Não consegui passar despercebida, pois quando entrei, o olhar de todos os presentes seguiu-me.

Olhei em redor. Não via Bill em lado nenhum, mas de qualquer forma, sentia-o ali, embora não estivesse segura de o querer encontrar. Dirigi-me a uma das alcovas, fiquei envergonhada. Estavam dois vampiros a terem relações, mas nem notaram a minha presença. Parti para a alcova seguinte. Os vampiros nada fizeram para me impedir, simplesmente olhavam-me, com aquela sede insaciável.

Na segunda alcova, algo me reconfortou. Senti um pensamento de uma presença humana. Mas, por pouco tempo. Porque a seguir, senti a mente de Bill. Olhei e vi.

Bill estava ali, naquele acto completamente íntimo, com outra pessoa. Naquele momento parei, estática. Não queria acreditar que ele estava ali, a cometer este acto de completa traição.

Depois lembrei-me de várias conversas que tivera com ele. Falava-me da essência de ser vampiro, de tentar contrariar os impulsos. E lembrei-me que ele desde há muito que era um deles. Nunca o aceitara completamente, embora o soubesse. Não que tivesse preconceitos, nunca os tive. Aliás, o facto de ele ser um vampiro foi o que mais me atraiu. Mas nessa altura, ainda não conhecia completamente a comunidade vampírica. E quando conheci fiquei assustada.

Tentei pôr-me no lugar deles: estar completamente limitado a um qualquer sangue artificial, sabendo que a verdadeira sede nunca seria saciada, aquela sensação de beber o sangue directamente da fonte, de ganhar contacto com essa pessoa e todo aquele ambiente carnal e provocante, tudo substituído por um reles líquido com sabor a ferrugem.

Mas o Bill... Ele não precisava daquilo - tinha o meu sangue. Podia beber da fonte sempre que quisesse. Mas nos últimos tempos mostrara-se tenso. Primeiro, deixou de pedir O+ (o meu tipo de sangue) quando ia ao Merlotte's, depois deixou sequer de me morder enquanto nós praticávamos o acto sexual. Eu sabia que algo se passava. Mas nunca pensei que ele fosse capaz de me trair. E, no entanto, estava ali, com outra, de caninos expostos, completamente nus.

O ambiente à minha volta desvaneceu-se. As manchas negras de fumo que emanavam o ar do clube começaram a cercar-me. Deixei de ver. Deixei de sentir as poucas ondas mentais. Fiquei parada. Senti vampiros juntarem-se a mim. Nada via, apenas fumo. Comecei a sentir cada vez mais vampiros ao meu lado. Estava rodeada. Um deles encostou os lábios ao meu pescoço. Desmaiei para cima dele. A última coisa que senti foi o ar frio dos seus caninos aproximarem-se do meu ombro…

 

publicado por sangue-fresco às 09:36

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