06
Out 09

Entrei no Clube. Aquilo era pior do que Eric me advertira. Uma sombra negra pairava no ar. Sentia poucas mentes humanas, o resto era só pensamentos vampíricos, soltos. Havia lá uma espécie de bar, mesas, cadeiras, sítios onde os vampiros conviviam. No centro, um vampiro do sexo feminino fazia uma actuação de strip, mas mesmo assim, poucos dos presentes lhe pareciam dar atenção. Não consegui passar despercebida, pois quando entrei, o olhar de todos os presentes seguiu-me.

Olhei em redor. Não via Bill em lado nenhum, mas de qualquer forma, sentia-o ali, embora não estivesse segura de o querer encontrar. Dirigi-me a uma das alcovas, fiquei envergonhada. Estavam dois vampiros a terem relações, mas nem notaram a minha presença. Parti para a alcova seguinte. Os vampiros nada fizeram para me impedir, simplesmente olhavam-me, com aquela sede insaciável.

Na segunda alcova, algo me reconfortou. Senti um pensamento de uma presença humana. Mas, por pouco tempo. Porque a seguir, senti a mente de Bill. Olhei e vi.

Bill estava ali, naquele acto completamente íntimo, com outra pessoa. Naquele momento parei, estática. Não queria acreditar que ele estava ali, a cometer este acto de completa traição.

Depois lembrei-me de várias conversas que tivera com ele. Falava-me da essência de ser vampiro, de tentar contrariar os impulsos. E lembrei-me que ele desde há muito que era um deles. Nunca o aceitara completamente, embora o soubesse. Não que tivesse preconceitos, nunca os tive. Aliás, o facto de ele ser um vampiro foi o que mais me atraiu. Mas nessa altura, ainda não conhecia completamente a comunidade vampírica. E quando conheci fiquei assustada.

Tentei pôr-me no lugar deles: estar completamente limitado a um qualquer sangue artificial, sabendo que a verdadeira sede nunca seria saciada, aquela sensação de beber o sangue directamente da fonte, de ganhar contacto com essa pessoa e todo aquele ambiente carnal e provocante, tudo substituído por um reles líquido com sabor a ferrugem.

Mas o Bill... Ele não precisava daquilo - tinha o meu sangue. Podia beber da fonte sempre que quisesse. Mas nos últimos tempos mostrara-se tenso. Primeiro, deixou de pedir O+ (o meu tipo de sangue) quando ia ao Merlotte's, depois deixou sequer de me morder enquanto nós praticávamos o acto sexual. Eu sabia que algo se passava. Mas nunca pensei que ele fosse capaz de me trair. E, no entanto, estava ali, com outra, de caninos expostos, completamente nus.

O ambiente à minha volta desvaneceu-se. As manchas negras de fumo que emanavam o ar do clube começaram a cercar-me. Deixei de ver. Deixei de sentir as poucas ondas mentais. Fiquei parada. Senti vampiros juntarem-se a mim. Nada via, apenas fumo. Comecei a sentir cada vez mais vampiros ao meu lado. Estava rodeada. Um deles encostou os lábios ao meu pescoço. Desmaiei para cima dele. A última coisa que senti foi o ar frio dos seus caninos aproximarem-se do meu ombro…

 

publicado por sangue-fresco às 09:36

Entrar naquele local foi bastante diferente de um dia de trabalho no Merlotte’s. Por mais que me esforçasse não havia pensamentos distintos a picarem-me a cabeça como uma colmeia de abelhas zangadas, apenas ligeiras e aliviantes correntes de ar. Os vampiros, alguns até bastante atraentes – quer dizer não tanto como Bill ou Eric (e bolas tinha de deixar de pensar em Eric naqueles termos) – olhavam-me com curiosidade. Um matulão negro chegou mesmo a lamber os lábios e a soltar os caninos. Atravessei a sala apinhada e fui-me esquivando dos vampiros que se encontravam em pé, não querendo chamar ainda mais atenções sobre mim.

Nem todas as Margaritas que tivesse tomado me podiam preparar para a cena com a qual me deparei de seguida. Bill estava com uma mulher – não reparei se era vampira ou não, e sinceramente estava-me a borrifar para o que fosse – de pernas abertas em cima dele. Dei meia volta com lágrimas de raiva já a fazerem a sua visita habitual. Mas não fui a tempo, ele já me tinha visto.

Atravessou a sala na sua rapidez sobrenatural até mim e agarrou-me por um braço.

- Sookie… - Disse na sua voz profunda.

- Larga-me Bill! Gritei afastando o meu braço dele.

Os colegas de Bill pareciam divertidos com toda a situação, pois ouviam-se gargalhadas aqui e ali.

Saí porta fora a correr e uns pneus chiaram no asfalto. Um vistoso carro que custaria mais que dez anos do meu ordenado no Merlotte’s parou à minha frente com a porta aberta. Eric disse-me lá de dentro:

- Entra.

Não pensei duas vezes, corri para dentro do carro e fechei a porta. Vi Bill com um ar furioso e de caninos de fora a ficar cada vez mais longe. Claro que ele não teve coragem de nos seguir, ele não ia fazer isso ao seu chefe, seria uma falta de respeito.

- Eric Northman, eu disse-te para não me seguires! – Disse-lhe zangada, apesar de no fundo estar aliviada por me ter tirado daquele antro que dava pelo nome de Clube de Sangue. Cá para mim estava mais para Clube da Galdeirice do que outra coisa!

- E eu avisei-te para não vires, Sookie Stackhouse!

Cruzei os braços derrotada. Sim era verdade, ele tinha-me dito para não vir.

- E agora que já tens a certeza de que o que eu te disse está certo não queres pensar novamente na minha proposta?

Senti o meu sangue a gelar. Eric parou o carro com uma travagem brusca à berma de uma estrada ladeada de frondosas árvores que na escuridão da noite pareciam gigantes a abanar os seus tentáculos ao sabor das ondas do vento. Fiz de tudo para não pensar naquilo novamente, mas a verdade era que a ideia batia-me à porta do cérebro, uma e outra vez.

- Eu disse-te que o Bill não era quem pensavas… - Eric posou a sua mão delicada sobre a minha perna nua e os pelinhos daquela zona (a qual eu também deveria ter depilado, bolas!) arrepiaram-se instantaneamente. – Ao contrário de mim que sou um livro aberto Sookie e já te disse exactamente o que quero de ti…

A sua mão continuou a penetrar em áreas recônditas do meu corpo que eu ainda só tinha mostrado a Bill. Não fiz nada para ele parar, na realidade até gostei. Bill merecia, depois de me ter posto os palitos com a primeira ordinária que encontrou na sua ausência de Bom Temps. Ao menos eu não estava a trai-lo com qualquer um, era Eric, o seu chefe e xerife-vampiro. O que ele podia fazer em relação a isso? Absolutamente nada!

Eric saiu do seu lugar de condutor e pôs-se sobre mim, o seu corpo rijo sobre a parcial nudez que o meu vestido curto expunha. Senti-me a tremer violentamente. Eric libertou os seus caninos brilhantes como marfim e aproximou-se perigosamente da minha linha do maxilar.

publicado por sangue-fresco às 09:33

Espera Sookie! Por favor! – Gritou Bill. Sookie corria sem parar, corria com todas as suas forças. Só queria se afastar do Fangtasia e de todas aquelas personagens loucas. As lágrimas teimavam em cair, mas ela não se importava, já não se importava com nada. Só queria a segurança da sua casa, da sua antiga vida. Bill segurou-a pelos ombros abanando-a para que ela olhasse para ele.

Sookie entende, eu tive de fazer aquilo. – O sangue ainda escorria da sua boca. Sookie enfrentou-o, o seu olhar era gélido, quase tão gélido como o coração de Bill.

Eu sei o que vi. Nada vai apagar da minha mente o que eu vi Bill, será que não entendes? Não quero justificações! – Gritou-lhe. A voz saiu rouca, praticamente sem sentimento. Sentia-se vazia.

Espera…eu preciso de ti. – Suplicou Bill.

Larga-me, eu vou embora e não te quero ver mais. Não me procures ouvis-te? Nunca mais te quero ver! – Virou-se e continuou a andar sem rumo. Olhou para trás uma última vez e Bill já não estava. Começou a chuviscar e ela sentiu a brisa fresca da noite a atravessar a fina malha que a agasalhava. Ouviu uma moto que se aproximava e parou ao lado dela.

Sookie vem comigo…não tens onde ir e é perigoso andares por ai assim…sabes ao que me refiro. – Reconheceu logo aquela voz, tinha sido ele que a tinha trazido até a verdade. Acabavam de encontrar três jovens mortas no jardim próximo. Os polícias já estavam na zona e tudo indicava que os assassinos tinham sido vampiros. De onde estavam podiam ver o buliço que se acumulava na zona onde jaziam os corpos inertes das três jovens.

Não quero, não preciso da tua ajuda! Deixa-me em paz! – Gritou-lhe Sookie. Eric olhava para ela com um olhar sedento. Sem se aperceber Sookie já estava nos braços deste que a segurava firmemente para esta não fugir. Não que isso fosse possível dada a força desumana que emanava dos braços de Eric.

Não me vais tocar, esta muita gente a nossa volta e Bill esta perto. - Por momentos Sookie esqueceu-se do que vira momentos antes. Um frio percorreu-lhe a espinha ao perceber que os movimentos de Eric iriam ser muito rápidos para que alguém se desse conta de algo. A mota começou a trabalhar e sem dar por isso estavam num beco sujo e escuro. Os caninos de Eric agora eram bem visíveis. Brilhavam no meio daquela escuridão imunda.

Vais me recusar Sookie? Depois do que viste vais te recusar a me dar de beber o teu sangue? – Eric quase que salivava com a possibilidade de Sookie lhe dizer que sim. A única coisa que passava na mente de Sookie era Bill. Bill com uma humana. Uma humana que não era ela. Eric começou a se aproximar cada vez mais e tocou-lhe com as mãos geladas. Segurou-lhe no pescoço e Sookie quase que involuntariamente declinou-se para dar espaço a Eric.

Já conseguia sentir a respiração entrecortada que emanava das suas narinas. Os dentes cravaram-se na pele com demasiada facilidade. E finalmente aconteceu, Eric bebeu do seu sangue.

Eric parou e por momentos ficou a olhar para Sookie com olhos extasiados.

Agora sei porque és tão especial…porque Bill fez tudo o que fez por ti. – Sookie estava sem palavras. Deveria ter resistido, lutado, ela não era assim. Mas por um momento de loucura deixou-se levar. No mundo dela já não existia “Bill”.

Pousou a cabeça no ombro de Eric e pediu-lhe que a leva-se a casa.

publicado por sangue-fresco às 09:31

29
Set 09

Eu vestia o meu vestido de dormir, leve, branco e confortável. Caminhava em direcção à cama que pertencera à minha avó, Adele Stackhouse. A avó fora assassinada, anos antes, por René Lenier, um dos muitos fanáticos que cultivam um ódio pelos vampiros. Em Bon Temps, todos gostavam de René… até descobrirem que ele era o responsável por uma onda de assassinatos que supostamente culminaria com a minha morte. Na cama estava o meu vampiro, Bill. Tinha (ainda) vestidos os jeans de ganga escura e a t-shirt negra que contrastava com a pele branca, mortalmente pálida, dos seus braços e pescoço. Olhou para mim, de alto a baixo, à medida que eu me aproximava da cama… observei as suas narinas a dilatarem-se e concluí logo que estava a inalar o meu perfume, o “meu irresistível aroma” como ele gostava de dizer no seu tom formal e clássico, tão característico do século XIX, altura em que Bill “morrera”.

- Que tal estou? – Perguntei, meio atrevida, meio inocente.

- Uma delícia… - Respondeu, malvado e malandro.

Ia deitar-me ao seu lado quando ele se levantou… Tirou a t-shirt, pegou em mim e apertou-me contra si. Ouvia-o respirar profundamente. Afastou uma madeixa do meu cabelo loiro e quando voltei a olhar para ele, as suas presas já se encontravam salientes. Brancas, perigosas, aguçadas. Já não me assustava… namorando com um vampiro é mais do que natural ver-lhe as presas e deixá-lo beber um pouco do meu sangue. Era o derradeiro afrodisíaco para Bill e eu não me importava.

Senti uma pontada de dor e um líquido quente a escorrer pelo meu pescoço abaixo. Pelo menos Bill era rápido. Em pouco mais de meio minuto bebia tanto sangue quando podia tendo o cuidado de não exagerar, de maneira a evitar que eu ficasse demasiado fraca ou com anemia. Mas desta vez estava diferente. Bill já bebia o meu sangue há mais de um minuto.

- Bill, já chega.

Ignorou-me. Quando tentei afastá-lo vi logo que algo estava mal. Os seus braços fortes puxaram-me ainda mais contra ele e as presas afundaram-se ainda mais na pele. Mal comecei a mexer para me libertar elas rasgaram a pele. Bill apertou-me ainda mais e eu nada consegui fazer contra os poderosos braços e mãos que me prendiam. Então a situação piorou ainda mais. Bill começou a mexer a boca e as presas, abrindo feridas bastante profundas no pescoço. Não tardei a ver o sangue que saltava, aos esguichos, da minha jugular.

- Não! – Gritei desesperada com a força que me restava.

De nada adiantou. Senti que morreria ali. Bill já não era quem eu conhecia. Parecia um daqueles vampiros que vemos nos filmes de terror: tinha a cara toda cheia de sangue, que lhe escorria pelo queixo abaixo em direcção ao peito. Com as presas de uma dimensão muito maior que o normal, exibia o sorriso possesso de quem cedera à sua maior tentação: beber todo o meu sangue.

Já estava morta e, ainda assim, continuava consciente.

Depois veio o pior.

Com a sua mão branca e grande Bill furou cruelmente a minha caixa torácica. Agarrou o meu coração e puxou-o para fora com a maior das facilidades… e eu via tudo. Com as duas mãos Bill levou o coração à boca e enterrou nele as presas, lambendo-o depois freneticamente com a língua. Ainda saltou algum sangue: para o cabelo de dele, para cima de mim, para o chão e algumas gotas no tecto.

Bill deu-se então por satisfeito e saiu pela janela deixando-me ali no chão, a apodrecer. 

Acordei sobressaltada. Suada. Tinha sido o pior pesadelo de toda a minha vida. Estava tão assustada. Acalmei-me. Respirei fundo. Passados três segundos espelhou-se na minha cabeça a cena que presenciara no clube de vampiros de Jackson: a traição de Bill.

Seria melhor mesmo não ter coração, assim ninguém o podia desfazer.

 

 

publicado por sangue-fresco às 22:44

Desceu as escadas que conduziam ao piso inferior. À medida que progredia, o silêncio desaparecia e era substituído pelos crescentes rumores de conversas cruzadas, envoltas em música que o DJ passava, naquele bar, nas profundezas do edifício.Conforme se aproximava do seu destino, as dúvidas aumentavam e, por várias vezes, sentiu-se tentada em voltar atrás. Subir as escadas e fugir para o exterior. Não! Não hesitaria mais. – Decidiu. - Iria até ao fim.

Chegou ao fim da escada. A passagem estava barrada por um sujeito enorme e barrigudo, que a mirou de alto a baixo. Sem nada dizer, afastou-se e franqueou-lhe a entrada para a porta encimada pelas luzes de néon onde se lia o nome: “Clube de Sangue”. O odor metálico a sangue, que emanava do local, agrediu-lhe as sensíveis narinas.Deslocou-se até ao balcão, embatendo nos pares que se agitavam na pista de dança. Sentou-se num banco alto e sorriu para o empregado que a fitava extasiado.- Um “blody mary”, por favor! – Pediu.O barman serviu-a de imediato. Sorriu-lhe, mas ela não lhe retribuiu o sorriso. - Nova por aqui? – Questionou-a, olhando-a de alto a baixo. Apreciou cada curva do seu voluptuoso corpo. Um corpo “vamp”. Aparentava uns quarenta anos muito bem conservados. Uns belos cabelos negros emolduravam uma cara bela, se bem que um pouco pálida. Umas belas e longas pernas saiam sob a curta saia que vestia.Ela assentiu com a cabeça. Bebeu a zurrapa de um trago. O barman encolheu os ombros e passou a sua atenção para o cliente que se acabara de sentar à direita da “vamp”. Fez uma careta, ao reconhecê-lo. Era um cliente habitual. Um predador. Sempre à caça de raparigas. Sempre à procura de vítimas. Descartáveis: usava-as uma vez e, depois de as possuir, abandonava-as sem qualquer pingo de pudor ou peso de consciência. A polícia e o próprio barman suspeitavam que seria ele “o violador da noite”, um predador sexual procurado pelas autoridades por drogar e violar jovens mulheres naquela zona.O predador, entre sorrisos e piropos destinados à sua colega de balcão, começou por entabular conversa com a mesma. - Dois copos de “O positivo”. - Pediu ao barman. – Para mim e para esta senhora.- Obrigado, mas não bebo “O positivo”! - Recusou a “vamp” com um sorriso.- É pena! Teria muito prazer em pagar uma bebida a uma mulher tão bela. – Retorquiu o predador.- És muito simpático. – Contrapôs a “vamp” – mas é um exagero teu!- Não digas isso…. – Fez uma pausa propositada, enquanto apreciava ostensivamente a interlocutora – Diz-me: és nova por aqui? Não me recordo de te ver anteriormente neste bar…- É verdade, nunca aqui estive antes… - olhou em volta – mas parece-me ser um ambiente muito simpático: luzes baixas, jogos de sombras, bom DJ…- Um pouco ruidoso… - respondeu o predador, subindo um pouco o nível da voz – queres dançar?

Dançaram, durante uma larga meia hora, até se fartarem.

- E, que tal se formos para um sitio mais calmo? – Propôs o predador. - Falamos um pouco. Confraternizamos longe deste reboliço.

A parceira hesitou momentaneamente. Estava a gostar daquele local e daqueles momentos. Anuiu.

- Está bem, concordo! Vamos!

Saíram para o exterior. O ar fresco entranhou-se nos seus corpos transpirados e fê-los chegarem-se um ao outro, aconchegando-se mutuamente. O predador sentia-se excitado, ao sentir o corpo dela junto ao seu. A frescura que emanava da sua companheira inebriava-lhe os sentidos.

Caminharam lado a lado, aninhados um no outro. Chegaram ao carro do predador sexual. Entraram.

- Ficamos por aqui, ou queres ir a algum lado? – Perguntou à companheira, preparando o ambiente para os seus planos.

-Tanto faz…

Beijaram-se apaixonadamente. Exploraram os seus corpos, mutuamente.

-És bem constituído! Quero-te! – Declarou a “vamp”, apalpando-lhe o bíceps e os abdominais. – Que idade tens? Qual é o teu grupo sanguíneo?

- Trinta e cinco! E faço aparelhos todos os dias!... Sou “A negativo”… Porque perguntas?

- Vou contar-te o meu segredo: não bebo “O positivo”… só me alimento de “A negativo”!

E, perante um atónito predador sexual, a “vamp” cravou-lhe, no pescoço, umas longas presas e sugou, com prazer, todo o sangue do parceiro, enquanto se sentia rejuvenescer.

 

publicado por sangue-fresco às 22:39

Desde de o maldito Eric me fez beber um pouco do seu sangue, tudo encenado claro! Com a mentira da bala… fazendo-me acreditar que estaria a morrer… sou mesmo estúpida… mas enfim, embora ele saiba como me sinto cada dia. Ainda bem que ele o sabe pois deste modo, saberá que o meu coração será só do Bill, embora eles nestes dias ande um pouco esquisito, não sei o que se passa!

Tentei falar com ele por várias vezes, e das poucas vezes que falamos ele não é o mesmo comigo, não percebo!

Vou a casa dele, não o encontro… chamo por ele e nada!!! Mas que raio Bill onde estás tu?

De repente:

- Sei onde ele está!

Era o Eric, mas como… pois claro, bebi do seu sangue e ele sabe como me sinto e onde estou.

- Mas como? – Respondo eu confusa… como saberia ele onde Bill estava e eu não!

- So numa frase: Ele está em Jackson. E lá existe um clube, mas que é demasiado perigoso para ti! O Clube de Sangue!

- Mas onde?como? – Respondo de novo.

-Quero ir la ter com ele! Porque ele pode estar a precisar de mim, da minha ajuda! Embora ele esteja estranho nestes dias, não o posso deixar! Quero ir ter com ele! – Digo com a minha maior determinação.

- Ok! Eu mando alguém levar-te ao local! Mas terás que ir infiltrada, não poderá entrar de qualquer maneira! Como já te disse minha querida Sookkie, é um local demasiado perigoso para ti! É onde nós nos encontramos para tomar um copo de O negativo!

- Já disse que vou! Vou correr esse risco!

E aqui estou eu à porta do Clube de Sangue. Passaria despercebido se não fossem os fãs dos vampiros! Eu também serei uma fã? Bem no meu fundo eu sei que não!! Eu amo o Bill e ele a mim!

Consigo entrar, infiltrada, fazendo-me passar por uma fã! Mostro as marcas que o Bill faz quando se alimenta de mim…. Temos um trato ele não se alimenta de mais ninguém a não ser de mim…. Mas ele anda tão estranho… a evita-me! Quero saber o que se passa e por isso estou aqui neste ninho!

O bar tem um estilo, que eu nunca pensaria que teria! Um ambiente agradável, onde não se comportam como animais! Mas ao mesmo tempo torna-se perigoso porque todos os vampiros passam por ali!

Olho à minha volta! Os vampiros conseguem ser seres deslumbrantes e lindos!! Todos os vampiros são lindos!

Vou até ao balcão e peço um copo de vinho tinto (claro!), e falo um pouco com o barman, Digo-lhe porque estou aqui para servir de alimento e com quem posso falar.

Ele para não variar é lindo! E diz-me que me dirija ao dono do bar e que este se encontrava atrás das cortinas, pois era uma zona reservada! Nem todos podiam lá ir! Mas eu posso! Eu tenho que ir!! E lá estou eu! não há nada que eu não consiga! È determinação de família! Aí avó que saudades tenho de ti!! Mas não me posso distrair! Respiro fundo e encarno o meu papel de “comida fresca”!

O choque foi tenebroso, Bill, o meu Bill, é o dono do dito Clube de Sangue! E está a alimentar-se de outra pessoa! E essa pessoa não sou eu! Porquê? Não entendo! Sintou-me confusa, agoniada!

Sai-o a correr, nunca deveria ter vindo ao bar! O Bill nem merecia que eu me importasse com ele!!

De saída tenho outra surpresa… Eric encontrasse à minha espera… Maldição…. Ele sabe o que estou a sentir….

publicado por sangue-fresco às 22:32

29
Jun 09

Hesitei antes de tocar na campainha, afinal o que é que eu estava ali a fazer? Quase que sentia o cheiro a sangue fresco vindo do interior do castelo, devia estar entranhado há séculos naquelas paredes de pedra escura. Curiosamente foi isso que me fez avançar, as boas recordações.

A porta rangeu ao abrir-se e isso fez com que o rapaz que me seguia tremesse. Tive de sorrir, alguns humanos são tão estúpidos. Bastou-me ter colocado um anúncio na internet a sugerir “Atreveste a conhecer um verdadeiro vampiro? Mostra-me a tua cara.” E mais de mil voluntários apareceram em menos de uma hora. Não sei como ainda fico admirada com a quantidade de gente que tem o desejo da morte, se vivessem no mundo há tanto tempo quanto eu e se tivessem visto as coisas que eu vi mudariam de ideias. De qualquer maneira escolhi, maldosamente, aquele rapaz que se parecia mais com o verdadeiro príncipe da história da Branca de Neve.

- Isabel! – Uma voz maravilhosa e doce penetrou nos meus ouvidos. Já não a ouvia há tanto tempo que quase me esquecia de quão encantadora e inocente ela poderia ser. – Estou tão contente por teres vindo. Estão cá todos. Vieram para o aniversário, não é maravilhoso?

Como é que eu me pudera também esquecer do tanto que ela falava?

- Trouxe-te um presente – disse-lhe sem qualquer emoção e apontado para o rapaz que parecia hipnotizado desde a primeira vez que a viu. Ele tinha-se vestido para a ocasião: capa negra, olhos vermelhos e dentes de plástico. Parecia uma máscara de carnaval. Quando o vi não tive coragem de tecer qualquer comentário uma vez que tinha a certeza que todo este teatro a iria divertir. E, olhando agora para ela tinha a certeza que ia adorar. Trajava o mesmo vestido que a tornava tão famosa, inclusive a enervante fitinha com um lacinho vermelho que se realçava no seu cabelo negro.

- Sabes sempre o que eu gosto. – disse-me ela piscando-me o olho e passando a sua mão branca pelo pescoço moreno do rapaz. – É efectivamente muito parecido com ele!

- Bem, sempre achei que isto seria melhor do que te trazer uma maçã vermelha.

Ela deu uma gargalhada, eu não me consegui rir, sabendo o destino fatal que teria aquele humano. Não é que sentisse alguma pontada de culpa por o trazer ali, aquilo apenas não me divertia.

- Estás muito tensa Isabel. Tantas décadas a conviveres com humanos não te têm feito bem e retiraram-te o sentido de humor. Faço questão devolver o fulgor que tinhas antes. Vem, vamo-nos juntar aos outros. Tenho uma surpresa para todos, entre elas um bolo com sete deliciosos anões prontos a comer.

publicado por sangue-fresco às 15:07

Os seus olhos claros percorram a plateia. Havia muita gente à sua volta: técnicos de som, produtores, realizador, maquilhadoras e, claro, os outros actores. O ambiente estava animado. Era o início das filmagens. Um projecto muito ambicioso que tinha começado há cerca de um ano e depressa tinha cativado a atenção do público, tornando-se num fenómeno mundial. A série baseava-se nuns livros referenciados pelos New York’s Time. Do sítio onde estava, ele tinha uma vista ampla sobre tudo o que acontecia. Anne e Stephen estavam a um canto junto à roulotte dela, envolvidos em mais uma das suas discussões sobre a próxima cena a ser filmada. Um sorriso matreiro nasceu-lhe nos lábios. Ele ia apreciar muito a próxima cena. Anne era o seu estilo de mulher tanto físico como… Como descrever a outra parte? Bebível? Não. Como descrever a forma como o seu cheiro o fazia salivar? Fazia-o ansiar pelo dia em que percorreria o seu pescoço, pelo dia em que sentiria o seu coração bater aceleradamente por baixo da pele. Ele sentia que podia passar horas rodeado pelo seu cheiro.

Anne…

Ao mesmo tempo que a sua mente evocou o seu nome, o seu olhar cruzou-se com o dele. Manteve o olhar dela durante uns segundos, até ela o desviar.

Alexandre fechou os olhos e imaginou-se num outro lugar. Um lugar que só ele conhecia. Bem longe daquele barulho todo. Imaginou-a naquele lugar. Cogitou como seria bom estarem lá os dois.

Fora por ela que aceitara esta proposta ridícula. Recordava-se perfeitamente como o seu cheiro o chamara do meio da multidão naquele dia. Tinha-a seguido e, ao chegar ao estúdio, tinham-lhe perguntado se estava ali por causa do papel. Para poder entrar, dissera que sim. Assim que o realizador o viu, entregou-lhe imediatamente o papel. Ironia das ironias, o papel de um vampiro nórdico. Ele até era sueco. Há muito tempo fora um viking de renome, mais isso era uma outra história. E também era um vampiro. Não como aquele conde Drácula ou qualquer outro mito. Mas isso agora não importava também. A única parte que interessava era a sua urgência de sangue para viver e só havia um que ele queria. O dela. Em breve, ela seria dele.

Anne…

O seu cheiro intensificou-se. Ele soube que ela estava perto.

- Alexandre, temos que preparar a cena do beijo – lembrou, na sua voz de anjo.

Lentamente, ele abriu os olhos.
- Claro. Mas, está tudo bem com o teu namorado?
- Sim…

Alexandre ofereceu-lhe um sorriso malicioso que ela devolveu.

-Sim, muito em breve ela seria minha…
 
Assinado: 

Alexander Skarsgrad alias Eric Northman

publicado por sangue-fresco às 14:52

22
Mai 09

Eram 6h da tarde de uma quarta-feira, e eu estava sentada na sala de espera do consultório do dentista. Tinha andado agitada o dia todo, detestava ter de vir ao dentista. Aqueles aparelhos todos sempre me meteram medo e agora já com 32 anos continuava a ficar assustada só de os mencionar.

Enquanto aguardava, pude reparar que a sala de espera tinha um ar peculiar. Já quando entrei não pude deixar de notar na enorme porta vermelha, e agora reparava que as paredes estavam vestidas de branco com apenas alguns acessórios alusivos a placa dentária. O balcão situava-se na esquina e por trás deste encontrava-se uma jovem que aparentava ter 24 anos, era muito branca, tinha cabelo preto e uns olhos negros muito intensos. Pensei para mim própria que ela devia estar na capa de alguma revista de tão bonita que era.
Era a primeira vez que me encontrava ali porque o meu dentista tinha se reformado. Encontrei o nome deste numa revista de saúde e achei-o apelativo. Chamava-se Vicente Diogo.

A jovem recepcionista levantou-se, e dirigindo-se a mim, pediu para segui-la, eu assim fiz e quando dei por mim estava no meio de vários corredores muito brancos. Chamou-me a atenção o mini vestido que esta envergava porque não o achei adequado ao sítio onde trabalhava.

Quando entrei no consultório o Doutor estava voltado de costas para mim, senti logo um nó a formar-se na minha garganta juntamente com o tremor e o suor das mãos. Ele voltou-se e qual não foi a minha surpresa quando pude notar que ele mais parecia o irmão da jovem da recepção do que Doutor. Era tão lindo como ela, com os seus cabelos e olhos negros como a escuridão da noite e a tez branca como a neve. Deu um grande sorriso e pude ver os seus lindos dentes brancos.

Depois dos cumprimentos formais, ele mandou-me sentar na cadeira e pediu-me para lhe explicar o porque da minha vinda. Após uma breve explicação da minha parte, ele começou o procedimento. Não sei porque, mas encontrava-me mais relaxada do que o habitual. O cheiro que se fazia sentir naqueles sítios e que antes tanto me incomodava, agora não passava apenas de uma breve insinuação ao meu anterior medo.

Tudo corria bem, ate ao momento em que sinto o cravar de uns dentes no meu pescoço. Tentei gritar mas não conseguia. Estava imóvel.
Agora percebia tudo, percebia porque o medo já não invadia o meu corpo, percebia a beleza e a paz daquele sítio. Já tinha ouvido falar daqueles seres, mas sempre pensei que fosse um boato de gente que não tinha mais nada com que se preocupar. Mas agora era a minha vez de me preocupar. Mas como? Não havia hipótese alguma de conseguir-me salvar. A única coisa que sentia era o sangue a sair do meu corpo. Não era uma sensação má, muito pelo contrário. Era como se me estivessem a acariciar, como se estivessem a fazer amor comigo.

Aos poucos fui sentindo que perdia as forças, que a alma que estava aprisionada naquele corpo sem valor deixava de resistir. Comecei a ouvir um barulho que não me era estranho, mas por se encontrar distante não conseguia perceber o que era. Mas o som cada vez estava mais nítido e pude perceber que era o som do meu despertador. Estava confusa, o que é que o meu despertador fazia ali? Foi então que percebi que tudo não tinha passado de um sonho. Dei um salto e pus-me em pé! Gotas de suor escorriam da minha testa e tinha as mãos a tremer. Olhei em volta do quarto e ainda não tinha amanhecido. Dei outro salto quando percebi que não me encontrava sozinha. Queria gritar e não conseguia. Era ele. Ele estava ali. Afinal não tinha sido um sonho. Fui a correr para a casa de banho e olhei-me ao espelho e estava ali a cicatriz no meu pescoço. Estava bem visível. Mas não era só isso que era visível. Pude reparar como a minha tez se encontrava lisa e branca como porcelana e o meu cabelo encontrava-se mais comprido e brilhante amarelo como sol.

Era verdade. Agora eu fazia parte deles. Era como eles. Uma vampira. Fui até ao quarto e o Vicente estava lá, exactamente como se encontrava uns minutos antes. Estava imóvel e a única coisa que deixava transparecer era um sofrimento inteligível.
Ele olhou para mim e disse: “Desculpa. Estava farto de estar sozinho, e fui ai que te vi. Foi mais forte do que eu.”

publicado por sangue-fresco às 18:12

19
Mai 09

Os olhos do jovem apenas eram capazes de ver o invólucro exterior, uma belíssima mulher alta com uma cabeleira ruiva abundante, formando canudos estilizados, de pele marfínea, olhos apelativos e meigos e um corpo com medidas de modelo, peito generoso, cintura fina e ancas bem torneadas. Tudo nela constituía um chamariz para o sexo oposto o cheiro almiscarado, a voz convidativa ou mesmo as roupas usadas com o intuito de fazer sobressair todos os seus atributos físicos. Usava todos os factores com que a natureza a tinha dotado, quando era ainda uma simples humana, com o propósito de cativar a atenção e ludibriar a sua presa, preparando-a para o golpe final. O momento em que os seus proeminentes colmilhos penetrariam na jugular do jovem, da qual sorveria energicamente o liquido vermelho, quente, borbulhante ligeiramente salgado e latejante, que ela conseguia ouvir perfeitamente mesmo à distância. Um néctar capaz de revigorar um corpo debilitado após uma tentativa de drenagem na noite anterior.

Assim, que o jovem obsequioso se aproximou de Cassandra com o objectivo de ajudar a mudar o pneu, – pneu esse que ela própria tinha rebentado deliberadamente, tecendo uma armadilha para apanhar uma vítima – desencadeou nela um frémito corporal inesperado antecipado pelo odor emanado pelo sangue sedutor e irresistível do jovem franzino e desenxabido. Antevendo o momento em que os seus caninos entrariam em contacto com o seu pescoço e o sangue deslizaria para a sua garganta.

Poupou as últimas forças para levar a cabo o seu plano, o que foi relativamente fácil, uma vez que nem o jovem nem nenhum homem era capaz de resistir aos encantos da sua aparência física. Iludiu o jovem com um beijo, a vítima ficou siderada com essa possibilidade e num ápice, embaçou-o no beijo da morte. Quase como que hipnotizado, incapaz de se mover deixou-se ficar imóvel enquanto ela se saciava. Depois de saciada a sede e as forças restauradas, Cassandra abandonou o jovem corpo exangue num fosso de beira de estrada, e seguiu caminho, revigorada e restabelecida, idealizando uma nova emboscada para a próxima caçada.

publicado por sangue-fresco às 11:10

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